Qual seria o
caminho pra atingir esse objetivo? Me disseram, os mais sabidos, que
eu deveria procurar um professor que tivesse uma base de pesquisa e
dentro dessa base, eu deveria ajudar a esse professor com sua
pesquisa, procurar apresentar trabalhos nos congressos, seminários e
ser mais ou menos um mini professor. Mesmo sem saber onde estava
pisando, comecei minha pesquisa pra saber quem seria o professor. O
problema é que eu só tinha mais um ano pra fazer tudo isso, pois já
estava me formando em breve.
Apareceram
três nomes: professor Vidal Infante, professor José Arimatés e
professor Miguel Añez. Fui conversar primeiramente com Vidal. Não
andou a coisa e nem vou entrar em detalhes. Segundo, conversei com o
professor Arimatés, cara que gostava demais e ainda gosto, e ele me
explicou durante essa conversa que sua base estava completa, mas que
eu poderia pleitear essa vaga no ano seguinte. Não dava. Fui então
procurar o professor Miguel. Não o encontrei e então decidi me
inscrever em uma de suas matérias, um seminário em negócios
internacionais. Me chamou atenção logo seu método não muito
ortodoxo de lecionar. Ele dizia que quem quisesse, ele passava, podia
ir embora, mas só ficasse quem quisesse assistir a aula e participar
de maneira positiva. Gostei. Fiquei.
Lá eu
ficava conversando com ele após as aulas e numa dessas conversas
indaguei sobre a base de pesquisa. Ele disse que estava cheia, mas se
eu quisesse participar sem receber grana, ele tinha como me encaixar.
Topei na hora. Segunda-feira a tarde estava lá. Era o único turno
que eu não tinha aula. Não tinha mais ninguém. Eu perguntei o que
fazer, ele me deu um livro e disse: “leia aí”. Ele saiu e
fiquei lá, aproveitando o ar-condicionado e lendo. Olha que
maravilha!! Tinha um computador ligado, naquela época de Internet
discada, lavei a burra. Era lá que passava minhas tardes. Entre
leituras, internet e ar condicionado. Isso estava ficando bom,
pensei.
Foi então
que surgiu tudo de uma vez. Haveria um evento na UFRN e eu teria que
apresentar mini-cursos sobre gestão internacional. Durava 3 horas e
era aberto pra quem quisesse, gratuito. Foi ali que perdi totalmente
meu medo de falar em público. Evidentemente, combinei com alguns
amigos, que estariam na platéia de propósito, deles fazerem
perguntas difíceis, para que eu demorasse nas respostas e os outros
não tivesse tempo de fazer muitas perguntas. Lembro de João Costa,
que como sempre fez uma pergunta que envolvia Peter Drucker. Só a
pergunta dele durou 5 minutos. Eu respondi qualquer coisa e ele
concordou, tinha que concordar. Foi muito bom. Miguel também achou.
Na semana
seguinte, quando cheguei na base, tinha uma aluna lá com Miguel. Ele
disse, tenho boas notícias pra vocês. Consegui uma bolsa no CNPq,
de um salário mínimo, mas como tenho vocês dois sem bolsa, vocês
teriam que dividir a grana. E emendou: “mas, o nome do bolsista
tem que ser um só. Você acha que deve ser no seu nome?”
Perguntou ele à menina. Ela disse que tanto fazia, que ela não
fazia questão. Nesses segundos cruciais eu fui pensando. Eu sabia
que ele faria a mesma pergunta pra mim. E ele fez. Eu respondi, na
cara dura: “acho que tem que ficar no meu nome!!”. Ele
perguntou porque, já com um sorriso nos lábios. Eu disse: “Porque
estou me formando em pouco tempo e quando eu me formar, ela pode
continuar com a bolsa e passar pro nome dela”. Ela deu de
ombros e ele bateu o martelo, a bolsa ficaria no meu nome.
Mal deu
tempo de comemorar e de passar meus dados pra abrir conta no Banco do
Brasil, pois o CNPq pagava a bolsa através do banco, Miguel chega
com a notícia que eu teria que me apresentar num Congresso de
Iniciação Científica que teria na Universidade em poucas semanas.
O negócio era sério. Miguel disse logo, ninguém nunca ganhou um
prêmio nesse congresso aqui na base. Isso me relaxou.