Fiquei no
Brasil até setembro de 2001, marcando minha passagem pro dia 11 de
setembro de 2001, coincidentemente. Íriamos viajar à noite, eu e
Luciano Berberick e fomos na agência STB, do meu amigo Maninho,
buscar as passagens. Chegamos lá e estávamos esperando as
passagens, que custavam 700 dólares na época, pra quem era
estudante, quando vimos na televisão um prédio em Nova York pegando
fogo.
Ninguém ali
imaginava se tratar de um ataque terrorista, e sim de um acidente
aéreo. Maninho então ligou pra tentar alguma informação com a
Continental Airlines, foi quando foi informado que o espaço aéreo
americano estava fechado. Resultado, só pudemos embarcar no dia 13
de setembro. Fizemos escala em Newark, New Jersey, uma das sedes de
Continental e rumamos pra Montréal. Sobrevoamos Manhattan e ainda
muita fumaça saía do lugar aonde eram as Torres Gêmeas.
Voltei às
aulas do mestrado, e continuei fazendo um trabalho aqui e outro acolá
pra me manter e toda noite eu dava uma surra de xadrez em Luciano.
Entao o mesmo recebeu a visita da então namorada Lucianna. Inclusive
tomamos uma cana de vodka na sexta-feira a noite, pesada. O resto da
turma chegaria no sábado cedo: os primos Augusto e Maurício Benfica
e Marcelo Toscano. Combinamos de pegá-los no aeroporto. Eu não
acordei. Luciano, sem falar uma palavra de inglês ou francês, foi
sozinho pegar um táxi e deixou Lucianna com a incubência de bater
no meu apartamento até eu acordar e irmos ao encontro dele no
aeroporto.
Lucianna que
falava inglês, explicou ao taxista que era pra ir pro aeroporto, mas
disse que Luciano já imitava as asas de um avião com os braços e
fazia o barulho do motor pra ver se o taxista entendia que era
aeroporto. Mas a volta de lá seria uma incognita. Depois de muito
tempo, Lucianna conseguiu me acordar. Tomei um banho rápido e fomos
pegar um onibus pra ir pro aeroporto. Pegamos o onibus errado. Depois
pegamos o certo. Mas quando chegamos lá, já tinham ido embora.
Como Luciano
fez? Comprou um mapa no aeroporto e uma caneta e circulou o endereço
no mapa e apontou pro motorista. O taxista entendeu e lá se foram.
Chegaram lá, a gente ainda devia estar indo. Mas deu certo, eles
foram morar um tempo na casa de Danielle, esposa de Zumel, no bairro
judeu de Outremont.
Lá, através
dela, conheceram Dona Eva, uma brasileira que tinha um Pet Shop e era
casada com um quebecois chamado Raymond. Por sua vez, Dona Eva
conhecia uma senhora chamada Lena, que conhecia Olga, que tinha uma
empresa de Limpeza também. Olga é uma portuguesa irmã de Miguel e
os dois eram donos da empresa Soleil Net. Miguel anos depois casou
com Flávia, prima de Maninho da agência que nos vendeu a passagem.
Flavia continua casada com Miguel e tem duas meninas lindas e um
rapaz mais novo. Miguel conheceu Flávia através da gente que fomos
trabalhar com ele.
Augusto foi
trabalhar a noite toda no Hotel de la Montagne e ainda fazia a boate
Thursdays. Mauricio ficou fazendo trabalhos esporádicos e Marcelo só
estudava. Eu peguei dois contratos: Chapters a noite e Archambault de
manhã cedo. E isso me ajudou a custear minha vida por lá, inclusive
o mestrado. Logo logo tinha juntado 20 mil dólares. Trabalhava
também nos finais de semana.
O trio se
mudou pra um apartamento também em Outremont e economizavam o
máximo. Só não havia economia de cerveja. Tomavamos muitas. Mas
carne era só moída. Carne inteira era cara demais. Lembro de
Maurício dizendo certa feita: “Rapaz, faz tempo que não mastigo
uma carne sem ser moída, estou com medo de não saber mais”.
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