Friday, March 20, 2015

A injeção e o estrago feito



“I never knew a man could tell so many lies, he had a different story for every set of eyes. How can he remember who he's talking to?”
Neil Young
Era uma vez um nordestino que saiu lá de Pernambuco e foi parar em São Paulo, lugar que atraía toda espécie de gente, pelo seu poderio econômico. Esse cidadão, de uma esperteza fora do comum, nada tinha de Jeca, era um doutor na arte de enrolar as pessoas. Sua ascensão é um caso pra ser estudado pelos pilantras de todos os setores, um verdadeiro Case. Chegou a líder sindical, e começou a criar fama dentro de um período de governo militar. 

Na primeira chamada que levou pra prestar depoimento no DOPS, Departamento de Ordem Política e Social, na época comandado por Romeu Tuma, em vez de ser preso, o molusco saiu de lá com um emprego part-time: alcagueta! Ele passou a entregar todos os seus liderados do sindicato. Virou agente duplo, recebia dinheiro dos otários sindicalizados para ao mesmo tempo entregá-los de bandeja ao Tuma.  

Foi então que os intelectuais de esquerda[1], os artistas, professores universitários de prestígio e políticos, decidiram usar a figura de Luís Inácio para ser a “cara” de um novo partido que pretendiam criar, o Partido dos Trabalhadores. Ele tinha livre acesso por entre essa gente, além de que, iria amealhar muitos  votos por entre os operários do ABC Paulista. 

Dois episódios dessa época deram sinais sobre quem Lula procurava servir. Não era a operário, não era a país, não era a seu ninguem. Ele só pensava nele próprio e em uma forma de vencer na vida, custasse o que custasse. O homem mais importante do governo de então, o General Golbery do Couto e Silva, através da pessoa de Cláudio Lembo, mandou saber de Luís Inácio, como ele poderia ajudar no processo de Anistia, de repatriar os membros da esquerda que estavam exilados. Luís Inácio, numa granja do sindicato, já se beneficiando das benesses que se tem ao rebanhar um monte de trouxa que paga seu sustento, disse que para ele não interessava, que deixasse os companheiros lá em Paris tomando vinho, pois a volta deles iria atrapalhar os planos que o próprio Luís Inácio tinha de ascensão. Este episódio é bem contado no livro sobre Lula do escritor José Nêumanne Pinto.  

O outro episódio aconteceu durante um discurso de Lula aos opérarios. No meio do discurso, Lula observa umas mulheres em cima do palanque. Atrizes, universitárias, mulheres que ele julgou independentes e lindas. No meio do discurso, começa a fazer um discurso feminista. Ziraldo, o cartunista, o chama num canto e fala, “Lula, não fale de feminismo, não pega bem, o seu público operário é altamente machista, você vai se prejudicar”. A resposta de Luís Inácio foi categórica: “Companheiro Ziraldo, com meus companheiros eu me entendo mais tarde, meu discurso é pra comer as bucetinhas das feministas ali”. Essa história foi contada por Ziraldo em entrevista dada à revista Playboy. 

Quem o cercava já sabia quem era o pilantra, se deram continuidade a esse plano, é porque são safados e queriam surfar na onda macabra criada por eles. Esses não tem o que falar, merecem tudo de ruim que a justiça possa ferroar. Mensalão, petrolão, e todos os escândalos dessa corja já eram previstos por muita gente, afinal um esquema desses não surge do dia pra noite, mesmo capitaneados pelo mestre da mentira. Agora, quem ficou sabendo de tudo e continua apoiando essa cafajestada toda, em nome de uma ideologia (que ninguém do PT tem, a não ser a ideologia do enriquecimento próprio), sofre de profunda esquizofrenia e devia procurar tratamento urgente.

A máquina que sustenta alguns setores da sociedade, comprando suas conivências, irá secar um dia, e aí, o que vocês vão fazer? Vou contar. Afundar no mar de fezes, de mãos dadas, com a estrela do PT pregada na testa, enquanto assistem à elite do Partido fazendo igual à Marco Aurélio, da novela Vale Tudo, dando uma banana pra vocês, pro país e, principalmente, pros que ficarão arquejando sem as bolsas-esmolas, que calaram a boca de tantos enquanto as safe-houses estão sendo preenchidas com dólares! 

Fabiano Holanda, Oakville, 20 de março de 2015


[1] Perdoem, tenho que chamar assim pra identificá-los, mas quem tem pensamento esquerdista não é e nunca será um intelectual, pois é antes de tudo um mentiroso contumaz, e intelectuais tem como profissão investigar em busca da verdade.  

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